Su perfume embriaga, hace delirar. Lo supe desde el primer momento que lo sentí. Se fue adentrando por mis pulmones, poco a poco, hasta hacerme perder la razón. Evitar caer bajo su encanto es algo difícil. Yo diría, más bien, imposible. Por lo menos yo todavía no he encontrado un antídoto contra él; ni quiero. Su olor ejerce en mí el mismo efecto que el imán sobre el metal; me atrae hasta tenerme cerca. Lo podría distinguir en cualquier parte, incluso si pusiesen delante de mí mil camisetas con mil perfumes diferentes, yo sabría decir cuál es la suya. No me chafaría ni si quiera mi odiosa alergia, pues percibirlo ya se ha convertido en algo automático. Su esencia ha dominado completamente mis sentidos, su olor ya está impregnado en mi piel. Y no hablo de la fragancia a vainilla del gel de ducha que él usa ni tampoco de aquel perfume que le regalé y que tanto le gusta echarse. No hablo de ninguno de esos olores fabricados sino del dulce aroma de su propia piel, que va desprendiéndose de cada centímetro de su cuerpo hasta tomar cuenta de todo el aire que le rodea. Quizás esta sea su magia; tan seductora, atractiva y misteriosa. Atrapa, engancha, provoca adicción. Es la más letal de las drogas, mi droga particular.
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LA MÁS LETAL DE LAS DROGAS
10 de noviembre de 2017
PERDERSE PARA ENCONTRARSE
29 de octubre de 2017
Ven,
acércate. Quizás estés aquí por curiosidad. Quizás por interés o incluso por
puro aburrimiento. No sé cómo has llegado. Sea por el motivo que sea, aquí
estás. Entonces, quédate. Me gustaría contarte una historia: la mía.
No sé tú,
pero yo nunca sé lo que esperar de la vida. Siempre tan imprevisible, tan
insólita, tan ella. Una cajita de sorpresas. Hay personas que ven eso pronto; otras, como yo, se dan cuenta solo después de pegarse unas cuantas hostias de
las buenas. ¿El malo de la historia? Yo diría, más bien, "la mala". O
quizás no haya ni siquiera un villano. Incontables veces he culpado a las
expectativas, por hacerme ver más allá de lo que puedo ver, y en verdad no
hacerme ver nada. Las tales expectativas nunca se han correspondido a la
realidad, por lo menos no para mí. O algo no se acerca ni de lejos a lo que me
esperaba o sobrepasa totalmente aquello que me imaginaba.
Tres años
atrás yo no pensaba que viviría ni la mitad de todo lo que he vivido hasta
ahora, tampoco me hubiera planteado estar donde estoy en este instante. La vida
da tantas vueltas, ¿verdad? Percibí eso en el momento en que una decisión
cambió mi rumbo completamente. Mi historia estaba delimitada por los límites
territoriales de Brasil, y hoy me encuentro a un mar de distancia de ese país
que yo llamaba hogar. Quién lo diría.
MI MÁS ÍNTIMA DECLARACIÓN
14 de junio de 2016
Me excitas hasta cuando solo me clavas la mirada. Cuando siento tu aliento cada vez más cerca. Cuando el único sonido que existe es el producido por nuestra respiración, frenética y ansiosa. Tus besos saben a cielo. Tus labios, tu cuello, tú entero. Y ¿qué decir cuando recorres cada perímetro de mi cuerpo? Me quitas y me das el aliento. Y a mí me encanta hacer lo mismo. Es una de mis maneras preferidas de decirte "te quiero". Me pone hasta tu pelo, ¿te lo crees? Porque lo mejor es poder entrelazarlo entre mis dedos. Es alucinante sentir tu cuerpo junto al mío. Parece que fuimos esculpidos el uno para el otro, hechos para encajar a la perfección. La mejor aventura que he emprendido nunca ha sido viajar por tus lunares, dejando que mis dedos aterricen en cada uno de ellos como si fuera un astronauta. Solo puedo decir que es la mejor sensación del mundo. Y luego cuando me abrazas, aún estando completamente desnuda, es como si estuviera vestida, pero con todo el cariño y amor que pueden existir.
A ÚLTIMA VEZ
21 de enero de 2014

Ainda era fim de tarde, mas a lua já estava no céu. Iluminada pelos
raios de um sol que estava acabando de se pôr. Fiquei da janela observando,
deixando meu olhar vagar por aquela imensidão azul. Mal percebi que os
pensamentos invadiam minha cabeça, trazendo e levando lembranças, até que me
peguei pensando em você.
Quem iria imaginar que tudo começaria ali. Dois
colegas de classe que nem se falavam e mal conheciam um ao outro. Lembro que de
vez em quando trocávamos olhares e muito por acaso um oi, mas era só isso. Até
que uma coisa foi levando à outra. Os olhares passaram pra risadas e os “oi” pra
conversas jogadas fora. Nos tornamos amigos a ponto de dividir segredos. Como
da vez que te contei do meu primeiro beijo e você quis ouvir cada detalhe, me
interrompendo apenas pra fazer uma brincadeira falando que se tivesse sido com
você, teria sido mais especial. Nem percebi o que estava escondido por trás
dessas palavras, eu estava tão iludida com um idiota, que nem enxerguei o que
estava bem diante dos meus olhos – como eu fui boba! Mas mesmo assim você sempre continuou do meu lado, e sua presença, sua
voz, seu abraço, tudo em você me fazia tão bem que passei a te ver com outros
olhos. Foi inevitável e sem volta. Acabei me apaixonando por cada detalhe seu.
Lembro daquela vez em que você se
sentou numa cadeira na minha frente naquela aula chata de matemática fingindo
que queria ajuda em um problema só pra ficar perto de mim. Você e eu ficamos tão perdidos no olhar um do outro que não trocamos uma
palavra sequer, e eu envergonhada abaixei minha cabeça e me ocupei com qualquer
coisa. Você puxou o meu caderno e escreveu algo que eu não consegui ver, mas
logo depois me devolveu e eu fiquei sem palavras ao ler um “eu amo você” numa
letra pequena e garranchosa, mas ao mesmo tempo tão bonita escrita ali. Fique
tão sem ação que apenas sorri feito uma boba. E o que dizer sobre quando você
me chamou de “amor”? Foi a melhor coisa que ouvi até hoje. Minha vontade era de
te falar tudo que eu sentia, mas sempre me faltavam as palavras – ou talvez
a coragem. Em vez disso me permitia ser levada em seus
braços, abraçada com força, desejando ficar aninhada ali para sempre.
E aquela vez em que numa sala de aula vazia você
chegou em mim. Não precisou dizer nada porque bastou olharmos nos olhos um do
outro para que em cada rosto surgisse um sorriso e depois só me lembro de estar
perdida em seu beijo. Você nem imagina como tinha ansiado por aquilo.
Porém, tudo mudou depois desse dia, coisas inesperadas foram acontecendo
e a gente se afastou. Mas mesmo assim bastou ficarmos sozinhos por um momento
pra tudo ser esquecido. Lembro que estava na casa da minha amiga, você chegou
lá e me chamou pra conversar. Foi só ver você, pra ficar sem voz, sem ar e sem
chão. Foi como se tudo tivesse sido apagado, todas as mágoas e tudo ao nosso
redor. Era como se fossemos apenas você e eu. Nos olhamos com urgência e um minuto depois me vi
passando a mão pelo seu pescoço e aproximando meu rosto ao seu. Era impossível
resistir. Eu estava com tanta saudade do seu beijo, do seu abraço, do seu
sorriso, do seu cheiro, de você! Mas infelizmente tudo acabou ali, com aquela
despedida. Quem sabe teria sido diferente se eu tivesse dito tudo o que eu sentia.
Talvez agora estivéssemos juntos, ou talvez não. Isso nunca vamos chegar a
saber. Mas a vida é assim, o que não for pra ser, não vai ser. Mesmo que a
gente queira. E é isso, acho que agora já é tarde demais pra nós. Aquela foi a última vez, e se eu soubesse disso teria demorado um pouco mais entre seus braços.
Meu quase portal pra Nárnia
17 de diciembre de 2013

É madrugada novamente na
rua vazia e silenciosa da minha casa. Já passa da meia noite e eu estou
acordada ouvindo o vento bater na janela do meu quarto fazendo um barulho que
me causa arrepios, mas o motivo da minha insônia não é esse, e sim outro, muito
mais assustador do que um barulho estranho vindo do lado de fora da minha
janela. Uma coisa que não é fruto da minha imaginação, mas sim da realidade que
estou vivendo.
Sou do tipo de garota que
faz de tudo para parecer forte, mesmo passando por coisas que me destroem por
dentro continuo com um sorriso no rosto. O porquê disso? Não sei ao certo. Talvez
seja porque sorrir me faz ficar de pé, pronta pra enfrentar qualquer coisa ou
talvez porque eu aprendi fazer isso pra esconder minha vontade de chorar. Não interessa.
Só sei que passo o dia todo com uma droga de sorriso no rosto e choro antes de
dormir. Choro porque é a única maneira que eu encontro de desabafar, de me
libertar um pouco. Sinto-me sufocada e muito pequena pra lidar com certas
situações, mas apesar disso a vida não tem me poupado, me pondo no meio de uma
encruzilhada me obrigando a escolher um caminho. Difícil? Muito. Ainda mais quando você se encontra
nessa situação desde criança.
Na minha infância em vez de brincar de boneca tive que brincar de ser
gente grande, pra ver se entendia esse complexo mundo dos adultos, tendo que
crescer e amadurecer rápido demais, sendo preparada pra o momento em que
deveria tomar minha decisão. Ficar com meus avós que me criaram desde que
nasci, ou ir pra Espanha morar com minha mãe.
Isso é o que está martelando na minha cabeça e não me deixa dormir.
Continuo ouvindo o vento soprando lá fora. Abro a janela e vejo uma madrugada
silenciosa e quente de primavera. Fico olhando para aquele céu escuro, com os
pensamentos vagando.
Porque diabos eu tenho que passar por isso? Tá que eu nunca tive a vida dos sonhos, nunca fui a garota mais bonita, nem a mais inteligente do colégio, muito menos a mais popular, mas sempre tive o mais importante, fé, amigos e amor. Tenho tudo pra ser feliz, mas não sou. E isso porque eu tenho um assunto pendente que me atormenta.
Fechei a janela pensando naquilo ainda, fui até a estante e peguei um livro
qualquer pra me distrair. Só quando comecei a ler que percebi qual era. As
Crônicas de Nárnia. Folheei até meu conto preferido. O leão a feiticeira e o
guarda-roupa. Bem que eu podia ter um portal pra outro mundo como nessa
história, para fugir desses meus problemas. Esse pensamento acabou me dando uma
ideia. Joguei o livro de lado e pulei dentro do meu guarda-roupa, fiquei ali no
escuro, esperando ver uma luz fraquinha lá longe, ou que começasse um frio
cortante e o chão começasse a ficar gelado, mas nada aconteceu. Nada de neve,
nada de lampião, nada de fauno. Apenas o fundo do armário. Sai de lá de dentro me
achando uma idiota por ter feito isso. Que idéia mais louca. Será que eu achei
mesmo que iria encontrar um portal?
Sentei na cama, procurando algo pra fazer. Ainda não estava com sono,
então liguei o computador e fiquei perambulando pela internet. Entrei no
facebook, mas não tinha ninguém online, também né, quem iria ficar essas horas
da madrugada perdendo tempo em frente ao computador? Só eu mesma. Já estava
pensando em desligar quando finalmente encontrei em uma simples página da web o
que eu tanto procurava... O portal! Não era um portal pra Nárnia e muito menos
dentro do meu guarda-roupa... Não. Era melhor ainda, pois era um portal pra um
mundo que poderia ser criado por mim. Onde eu poderia ser quem eu
realmente era, sem tirar nem por, cheia de defeitos e qualidades, com medos
bobos e coragens absurdas. Um lugar onde eu poderia me expressar até por uma vírgula
escrita, onde as coisas não seriam perfeitas, mas eu seria livre pra sonhar e
dividir com as pessoas tudo que sentia e pensava... Todas as minhas paixões,
meus sonhos e tudo que acontece nessa minha vida fora de série. Um simples blog mas que eu transformaria em meu mundo.
Desliguei o computador e fui pra cama. Tinha consciência de que tinha
uma grande decisão pra tomar, mas pela primeira vez naquele dia, sorri. Não foi
um daqueles sorrisos pra esconder minha vontade de chorar, mas sim um daqueles
verdadeiros. Pois sabia que dali pra frente eu teria um refúgio, um lugar pra
esvaziar minha mente, pra me libertar.
“Que tudo dê certo!”, pensei. "Já deu", minha mente me respondeu.
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